Guardar provas de um golpe é reunir o material que permite compreender o contato, a promessa, o pagamento e o prejuízo. Este guia ajuda você a organizar os arquivos e encaminhar o caso ao canal adequado no Brasil, sem expor publicamente documentos ou dados sensíveis.
1. Checklist: o que guardar
Reúna o que já está disponível. Não converse mais com o suspeito, não faça outro pagamento e não abra um arquivo perigoso para tentar produzir uma prova melhor. Se algum item não existir, indique isso no relato e siga com os demais.
- Contato: número com DDD, endereço de e-mail, nome de usuário, link do perfil e plataforma utilizada.
- Promessa: anúncio, oferta, proposta, pedido de pagamento, nome que a pessoa usou e empresa que alegou representar.
- Conversa: mensagens com contexto, datas e horários; áudios e arquivos já recebidos, sem executá-los.
- Pagamento: comprovante completo, valor, data, instituição, beneficiário exibido e identificador da operação. Preserve também boleto ou QR Code recebido.
- Páginas: endereço completo, data de acesso e captura do conteúdo relevante, quando for seguro obtê-la.
- Atendimento: protocolos, respostas, datas e providências informadas por banco, plataforma e demais serviços.
O CERT.br recomenda preservar evidências e registros de atendimento para os encaminhamentos do caso.
2. Preserve o contexto e os arquivos originais
Capturas de tela e mensagens
Faça capturas que mostrem de quem veio a mensagem e como a conversa chegou ao pedido. Uma frase isolada pode não explicar a situação. Para conversas longas, numere as capturas em sequência e anote a que período correspondem. Se o aplicativo permitir exportar a conversa, guarde também essa versão.
Não recorte nem escreva sobre os únicos arquivos disponíveis. Mantenha os originais e, quando necessário, prepare uma cópia separada com destaques ou ocultação de dados para compartilhar. Identifique claramente qual é a cópia editada. Uma captura ajuda a documentar, mas sua avaliação depende do conjunto do caso; não há garantia de que um print isolado seja suficiente.
E-mails, documentos e páginas
Salve a mensagem original quando o serviço permitir, incluindo os cabeçalhos. Registre o endereço completo da página em uma nota: o nome mostrado no anúncio pode ser diferente do endereço acessado. Não clique novamente em links suspeitos se puder obter essa informação no material já salvo. Não instale programas de “coleta de provas” enviados por desconhecidos.
Uma pasta simples que facilita o atendimento
Você pode organizar os arquivos desta forma, adaptando os nomes ao seu caso:
caso-golpe/ 01-relato-cronologico.txt 02-conversas-originais/ 03-anuncio-e-enderecos/ 04-comprovantes/ 05-protocolos-e-respostas/ 06-copias-para-compartilhar/
Use nomes descritivos, como “2026-09-15_1430_comprovante-pix.pdf”. Mantenha uma segunda cópia em local protegido e acessível apenas a quem precisa. Não use uma pasta pública como arquivo de documentos pessoais. Se houver suspeita de invasão da conta de armazenamento, recupere a segurança antes de enviar os arquivos.
3. Escreva um relato em ordem cronológica
Separe fatos observados de suspeitas. Em vez de afirmar que determinada pessoa é o autor, descreva como ela se apresentou e quais dados apareceram. Quando não souber um horário exato, escreva “aproximadamente”. Este modelo é uma ajuda para organizar informações, não um formulário oficial:
Em [data e horário], fui contatado por [canal e identificação exibida]. A pessoa se apresentou como [identidade alegada] e ofereceu/solicitou [descrição].
Em [data], realizei [ação ou pagamento], no valor de [valor], por [meio]. O comprovante mostra [dados da operação].
Percebi o problema quando [fato concreto]. Compartilhei [tipos de dados, sem escrever senhas].
Até agora, procurei [instituições], solicitei [providências] e recebi os protocolos [números]. Tenho os arquivos [lista]. Ainda não consegui obter [informações faltantes].
Se houve vários contatos ou pagamentos, use uma linha por evento. Confira o total sem arredondar os valores. Evite copiar o mesmo relato com informações contraditórias em diferentes canais: atualize a versão principal e registre quando acrescentou novos fatos.
4. Escolha o canal conforme a providência
Uma reclamação ao banco, um boletim de ocorrência e uma denúncia de perfil têm finalidades diferentes. Pode ser necessário usar mais de um caminho; abrir um pedido não abre automaticamente os outros.
Banco, emissor do cartão ou serviço de pagamento
Peça proteção da conta, contestação e análise das operações. Informe os identificadores corretos, anexe o necessário e guarde o protocolo. Para Pix, veja as orientações sobre MED no primeiro guia. Solicite confirmação do pedido registrado e de como acompanhar a resposta.
Polícia Civil: registrar o ocorrido
Acesse a Delegacia Virtual e confira se seu estado e a natureza do fato são atendidos. O serviço nacional DEVIR atende os estados participantes, não todas as situações do país. Se a opção não estiver disponível, procure a Polícia Civil do seu estado ou uma delegacia presencial.
Descreva o ocorrido e apresente os arquivos solicitados. Guarde o número do registro e acompanhe a validação: o envio inicial pode passar por análise. Pergunte à autoridade se é necessário comparecer, complementar documentos ou formalizar alguma manifestação adicional no seu caso. O boletim não substitui a contestação ao banco nem determina automaticamente um ressarcimento.
Rede social, mensageiro, marketplace ou hospedagem
Use o recurso de denúncia do próprio serviço, identificando o perfil, anúncio ou mensagem. Preserve antes os registros disponíveis, pois o conteúdo pode desaparecer. Se houve compra na plataforma, abra também o atendimento do pedido. Um relato em comentário público pode não ser tratado como solicitação de suporte.
Defesa do consumidor e reclamação sobre atendimento
Para problemas com uma empresa, consulte o Consumidor.gov.br e o Procon do seu estado ou município. O Consumidor.gov.br trabalha com empresas participantes; não é um cadastro de ocorrência criminal. Seu fluxo oficial permite registrar e acompanhar a reclamação.
Em atendimento bancário não resolvido, use o SAC e a ouvidoria. Também é possível registrar reclamação no Banco Central para assuntos de sua competência. O Banco Central recebe reclamações para fins de supervisão e não resolve individualmente o conflito nem ordena indenização. Para avaliar medidas específicas, procure a Defensoria Pública ou advogado.
5. Acompanhe sem perder o histórico
Crie uma lista com o canal, número do protocolo, data do envio, documentos anexados, resposta esperada e próxima ação. Ao receber uma mensagem, confira dentro do aplicativo ou portal oficial se o pedido realmente existe antes de enviar novos documentos.
Se a resposta vier incompleta, registre qual ponto ficou sem esclarecimento. Exemplo: “Solicitei análise de três operações; a resposta menciona apenas uma”. Isso ajuda a fazer uma complementação objetiva, sem recomeçar a história do zero.
Não apague a pasta quando receber a primeira resposta. Podem surgir novas cobranças ou solicitações de esclarecimento. Defina uma revisão periódica dos seus registros e mantenha as evidências protegidas enquanto forem necessárias ao caso.
Dúvidas frequentes
Apaguei a conversa. Ainda posso denunciar?
Sim. Registre os fatos que conhece e reúna o que restou: comprovantes, números, mensagens em outros canais e protocolos. Informe que a conversa foi apagada. Não invente trechos nem use serviços desconhecidos que prometem recuperação mediante senha ou acesso remoto.
Preciso de ata notarial para começar?
Não espere obter documentação adicional para avisar o banco ou procurar a polícia. Caso precise avaliar uma forma adicional de documentar o conteúdo digital, peça orientação jurídica ou consulte um tabelionato sobre o serviço, sua utilidade e custo no caso concreto.
Posso enviar meus comprovantes ao GolpesNaNet?
Este site não é canal de investigação ou contestação. Encaminhe a documentação às instituições competentes. Para sugerir correção editorial, descreva apenas o necessário no canal de correções, sem anexar senhas ou documentos pessoais.
Continue pelo seu caso
Voltar ao roteiro das primeiras 24 horas
As fichas de golpes ajudam a identificar a abordagem usada. Elas complementam este roteiro com sinais e cuidados específicos, sem substituir o registro oficial.
Fontes oficiais e institucionais
- CERT.br/NIC.br — preservação de evidências e ações após golpes.
- Ministério da Justiça e Segurança Pública — serviço DEVIR.
- Consumidor.gov.br — funcionamento do serviço e informações sobre relatos públicos.
- Banco Central — serviço de reclamações sobre instituições supervisionadas.
Fontes consultadas em 15/09/2026. A organização sugerida é um roteiro editorial e não substitui requisitos do canal escolhido ou orientação jurídica individual. Veja a metodologia e todos os guias.