O golpista copia um anúncio e fica no meio da negociação. Comprador vê o bem verdadeiro, mas transfere o dinheiro para uma conta que não é do proprietário.
Golpe do falso intermediário: comprador e vendedor são enganados na mesma negociação
Atualizado em · Revisado por Alisson Ferrari
O golpista manipula comprador e vendedor ao mesmo tempo e faz o comprador transferir o valor para uma conta que não pertence ao dono do veículo.
Como funciona
- O criminoso copia um anúncio real de carro, moto ou outro bem e republica com preço atraente.
- Aborda o vendedor e inventa uma história para que ele não fale de preço com o interessado.
- Ao comprador, diz ser parente, sócio ou intermediário do proprietário e combina visita ao bem verdadeiro.
- Comprador e vendedor chegam a se encontrar, mas são orientados a não comentar valores ou detalhes da negociação.
- O golpista envia conta ou chave Pix própria e recebe o pagamento.
- Quando as partes percebem que falaram com pessoas diferentes, o dinheiro já foi enviado ao terceiro.
Sinais de alerta
- Uma das partes pede que comprador e vendedor não conversem sobre preço.
- História complicada sobre parente, dívida, comissão, troca ou favor para justificar um intermediário.
- Preço anunciado muito abaixo do valor informado pelo proprietário.
- Pagamento solicitado para pessoa diferente do proprietário do veículo ou do vendedor identificado nos documentos.
- Pressão para transferir antes da transferência formal do bem.
- Anúncio duplicado em contas diferentes com preços diferentes.
O que fazer agora, passo a passo
Na ordem. O que está no topo perde valor a cada hora que passa.
- AgoraSe o pagamento foi por Pix, conteste imediatamente a transação no banco para abertura do MED.
- AgoraAvise a outra parte da negociação e preserve toda a conversa antes que perfis e anúncios sejam apagados.
- Mesmo diaRegistre boletim de ocorrência com anúncios, telefones, contas, chaves Pix, comprovantes e dados do veículo.
- Mesmo diaDenuncie o anúncio e os perfis à plataforma onde ocorreu a negociação.
- Se o veículo ainda não foi transferidoNão assine nem conclua transferência documental até esclarecer a fraude.
Como se proteger
- Comprador e vendedor devem conversar diretamente sobre o preço e a forma de pagamento.
- Não aceite pedido para esconder valor, parentesco, dívida, comissão ou detalhes da negociação da outra parte.
- Pague somente ao verdadeiro proprietário ou conforme procedimento formalmente documentado e conferido.
- Compare nome do recebedor com documentos do vendedor antes de transferir.
- Nunca considere a presença física do veículo como prova de que a pessoa que pediu o dinheiro é dona dele.
Onde denunciar
| Canal | Para quê | O que ter em mãos |
|---|---|---|
| Seu banco | Contestar Pix ou transferência e tentar bloquear valores | Comprovante, conta, chave Pix, data e valor |
| Polícia Civil | Registrar estelionato eletrônico e preservar material para investigação | Conversas, anúncios, dados do veículo, telefones e comprovantes |
| Plataforma de anúncios | Remover anúncio e perfis envolvidos | URLs, prints e identificação das contas |
| Detran do estado | Verificar situação e impedir procedimentos indevidos quando cabível | Placa, Renavam e documentos disponíveis |
Perguntas frequentes
Eu vi o veículo pessoalmente. Ainda pode ser golpe?
Sim. O ponto central do falso intermediário é usar um bem real e um vendedor real para dar credibilidade à fraude.
O vendedor também pode ser vítima?
Sim. Comprador e vendedor podem estar sendo manipulados simultaneamente por narrativas diferentes.
Posso pagar para outra pessoa se o vendedor autorizar por WhatsApp?
É um sinal de alto risco. Confirme presencialmente e documentalmente quem receberá e por que o pagamento não vai ao proprietário.
Paguei por Pix. O banco devolve automaticamente?
Não. Conteste imediatamente como fraude para análise pelo MED; a recuperação depende da análise e da disponibilidade de recursos.
Fontes
- Ministério da Justiça e Segurança Pública — Operação mira organização criminosa especializada em estelionato digital, 08/07/2026. Consultado em 15/09/2026.
- Polícia Civil do Amapá — Polícia Civil deflagra a Operação Mendacium e prende seis pessoas, 19/02/2026. Consultado em 15/09/2026.
- Banco Central do Brasil — Vítima fez um Pix e caiu em um golpe, atualizado em 07/08/2026. Consultado em 15/09/2026.
- Planalto — Código Penal, art. 171, § 2º-A. Consultado em 15/09/2026.
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Relatos de quem passou por isso
São relatos enviados por leitores, publicados após leitura da nossa equipe. Não são casos verificados — servem para mostrar as variações que o golpe tem assumido, não como prova de nada.
Ficha técnica
- Tipo
- Falso intermediário
- Canal
- PIX · Redes sociais · WhatsApp
- Alvo
- Compradores e vendedores de veículos · Consumidores em geral
- Prejuízo típico
- Variável
- Situação
- Ativo
- Status editorial
- Fonte conferida
- Base legal
- Art. 171, § 2º-A, do Código Penal, com redação da Lei 15.397/2026, quando a falsa intermediação utiliza anúncio, aplicativo, rede social ou outro meio eletrônico para induzir comprador e vendedor a erro.
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