Alguém liga dizendo ser do seu banco, avisa de uma compra suspeita e conduz você a transferir para uma “conta segura”. A conta é do criminoso.
Falsa central do banco: a ligação que pede para você “proteger” o dinheiro
Atualizado em · Revisado por Alisson Ferrari
Uma ligação que parece do banco avisa de transação suspeita e orienta transferir para uma "conta de segurança". Nenhum banco faz isso. A conta é do criminoso.
Como funciona
- A isca. Chega um SMS, e-mail ou mensagem avisando de compra não reconhecida, prêmio, pontos vencendo ou problema na conta. A mensagem traz um número para você ligar.
- A inversão. Quando é a vítima que liga, ela já chega confiando. Esse é o ponto central do golpe: quem discou foi você.
- A autoridade. Do outro lado, alguém com script de call center, que sabe seu nome e às vezes os últimos dígitos do cartão — dados que costumam vir de vazamento.
- O enredo. O "funcionário" diz que há uma fraude em andamento e que existe um procedimento de segurança para proteger o saldo.
- A saída do dinheiro. A vítima é induzida a transferir para uma "conta segura", contratar um empréstimo "para estornar", instalar um aplicativo de acesso remoto ou entregar o cartão a um falso motoboy.
Sinais de alerta
- Você ligou para um número que veio em mensagem, e não para o número do verso do cartão.
- Pediram sua senha, o código do aplicativo, o token ou o código recebido por SMS. Banco nenhum pede isso.
- Pediram para transferir dinheiro, contratar empréstimo ou fazer PIX para "regularizar" ou "estornar" algo.
- Pediram para instalar um aplicativo ou permitir acesso remoto ao celular, a pretexto de atualização ou teste.
- Disseram para não desligar a ligação enquanto você resolve. A ligação aberta impede você de conferir.
- Avisaram que um funcionário do próprio banco está fraudando sua conta.
Já caí. E agora?
Na ordem. O que está no topo perde valor a cada hora que passa.
- AgoraDesligue e ligue de volta pelo número do verso do cartão ou pelo app. Não use o número que chegou por mensagem, e não retome a ligação anterior.
- Nos primeiros minutosSe houve PIX, registre a contestação por fraude no app do banco. Se houve compra no cartão, peça bloqueio e conteste a transação.
- Mesmo diaVerifique se abriram empréstimo em seu nome. O Registrato, do Banco Central, mostra todos os contratos de crédito no seu CPF.
- Mesmo diaSe você instalou algum aplicativo ou permitiu acesso remoto, desinstale, rode uma verificação de segurança e não faça operação bancária até o aparelho estar limpo.
- Até 48 horasRegistre boletim de ocorrência e reclame na Ouvidoria do banco, por escrito e com protocolo.
- Se o banco negarO Judiciário tem reconhecido responsabilidade do banco quando há falha de segurança ou quando a instituição não detectou operação fora do seu perfil. Procure o Procon, a Defensoria ou um advogado.
Como se proteger
- Nunca ligue para número de telefone que chegou por SMS ou mensagem. Use sempre o número do verso do cartão.
- Ao receber ligação suspeita, desligue e ligue de volta. Se a linha continuar aberta, use outro telefone.
- Nenhum banco pede senha, token ou código de autenticação por telefone. Nenhum pede transferência para conta de segurança.
- Não instale aplicativo por orientação de quem ligou, e nunca conceda acesso remoto ao seu celular.
- Cadastre-se no Não Me Perturbe e desconfie de ligações de números desconhecidos que pedem ação imediata.
Onde denunciar
| Canal | Para quê | O que ter em mãos |
|---|---|---|
| Banco, pelo número do verso do cartão | Bloquear cartão, contestar transação e abrir o MED | Horário e valor das operações |
| Delegacia eletrônica do seu estado | Registrar o crime | Prints, gravação se houver, número que ligou |
| Ouvidoria do banco | Contestar formalmente | Protocolo do primeiro atendimento |
| Banco Central — 145 | Reclamar da conduta da instituição | Protocolo da Ouvidoria |
| consumidor.gov.br | Reclamação com prazo de resposta de 10 dias | Conta gov.br prata ou ouro |
| Anatel — 1331 | Denunciar a linha usada na ligação | Protocolo prévio na sua operadora |
Perguntas frequentes
Como o golpista sabia meu nome e os dígitos do meu cartão?
Esses dados costumam vir de vazamentos e de compras anteriores. Saber seus dados não prova que quem ligou é do banco — é justamente o que torna o golpe convincente.
Existe "conta de segurança" do banco?
Não. É uma invenção do golpe. Nenhuma instituição pede que você mova seu dinheiro para outra conta para protegê-lo.
O banco tem que me devolver o dinheiro?
Depende do caso. O Superior Tribunal de Justiça julgou em 2025 que bancos e instituições de pagamento devem indenizar quando houve falha na proteção de dados ou na identificação de transação atípica ao perfil do cliente. Atenção: foi decisão de Turma, não tema repetitivo — ou seja, é um precedente forte, não uma regra automática para todos os casos.
Eu autorizei tudo. Perdi o direito?
Não necessariamente. O Código de Defesa do Consumidor trata como defeituoso o serviço que não oferece a segurança que dele se espera, e o banco só se exime provando que não houve defeito ou que houve culpa exclusiva sua ou de terceiro.
A Febraban tem um 0800 para vítimas?
Não. O portal antifraude da Febraban é informativo e não tem central de atendimento a vítimas. Aliás, existe um golpe que usa exatamente o nome da Febraban em SMS com 0800 falso. Desconfie de qualquer número que chegue por mensagem.
Fontes
- Febraban — Alerta sobre o golpe do 0800, 05/09/2023. Consultado em 25/08/2026.
- Febraban — Golpes mais aplicados no 1º semestre de 2025, 11/11/2025: falsa central telefônica em 2º lugar, com 139 mil relatos e alta de 195,7%. Consultado em 25/08/2026.
- Superior Tribunal de Justiça — REsp 2.222.059 e REsp 2.229.519, 3ª Turma, relator ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, 2025. Consultado em 25/08/2026.
- Ministério da Justiça e Segurança Pública — Sofri um golpe e agora? Tive perdas financeiras. Consultado em 25/08/2026.
- Banco Central do Brasil — Registrato, consulta de contratos de crédito no CPF. Consultado em 25/08/2026.
- Anatel — Registrar reclamação e chamadas abusivas. Consultado em 25/08/2026.
Conteúdo informativo. Não é orientação jurídica nem financeira. Encontrou um erro? Conte para a gente — nossa política de correções explica como tratamos.
Relatos de quem passou por isso
São relatos enviados por leitores, publicados após leitura da nossa equipe. Não são casos verificados — servem para mostrar as variações que o golpe tem assumido, não como prova de nada.
Ficha técnica
- Tipo
- Falsa central do banco
- Canal
- SMS · Telefone
- Alvo
- Correntistas · Pessoas idosas
- Prejuízo típico
- R$ 5.000 a R$ 50.000
- Situação
- Ativo
- Confiança
- Confirmado
- Base legal
- Art. 171, § 2º-A, do Código Penal (fraude eletrônica), Lei 14.155/2021: reclusão de 4 a 8 anos e multa; § 4º prevê aumento de um terço ao dobro se a vítima for idosa. No campo civil, art. 14 do Código de Defesa do Consumidor.
Você recebeu uma abordagem parecida?