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Golpe do falso emprego: a vaga que cobra taxa ou rouba seus dados

Atualizado em · Revisado por Alisson Ferrari

A vaga parece real, mas o recrutador cobra taxa, curso ou exame, ou coleta documentos e dados bancários para usar em outras fraudes.

Como funciona

  1. O criminoso publica uma vaga falsa ou aborda diretamente pessoas que estão procurando emprego.
  2. O falso recrutador usa WhatsApp, e-mail ou redes sociais e pode copiar nome, logotipo e informações de empresas verdadeiras.
  3. A oferta costuma prometer salário atraente, pouca experiência exigida e um processo seletivo rápido ou quase sem entrevista.
  4. Depois surgem cobranças para cadastro, exame, curso, certificado, treinamento, uniforme ou material supostamente obrigatório para a contratação.
  5. Em outras versões, o objetivo é obter fotos de documentos, selfie, dados bancários ou assinatura digital para tentar outras fraudes em nome da vítima.
  6. Depois do pagamento ou da coleta dos dados, o contato desaparece, muda de número ou cria uma nova exigência para continuar o falso processo seletivo.

Sinais de alerta

  • Você recebeu uma oferta de emprego que não solicitou ou foi aprovado rápido demais, sem entrevista compatível com a vaga.
  • O salário e os benefícios parecem muito acima do mercado para uma função com poucas exigências.
  • O recrutador usa e-mail gratuito, perfil recém-criado ou contato que você não consegue confirmar nos canais oficiais da empresa.
  • Pedem PIX, transferência ou pagamento para inscrição, exame admissional, curso, certificado, treinamento, uniforme ou kit de trabalho.
  • Pedem foto de documento, selfie, dados bancários ou assinatura digital antes de você confirmar a empresa e passar por uma entrevista real.
  • A vaga só existe no anúncio ou na conversa; você não a encontra no site oficial, na página de carreiras ou em um canal oficial da empresa.
  • Há pressão para decidir, pagar ou enviar documentos imediatamente porque a vaga supostamente vai acabar.

Já caí. E agora?

Na ordem. O que está no topo perde valor a cada hora que passa.

  1. Agora
    Interrompa o contato e não envie mais dinheiro, documentos, selfies, códigos, senhas ou assinaturas.
  2. Agora
    Se houve pagamento ou transferência, avise imediatamente o banco ou a instituição de pagamento, informe que foi fraude e siga o procedimento de contestação disponível.
  3. Hoje
    Registre boletim de ocorrência e guarde prints, anúncio, link da vaga, números de telefone, e-mails, comprovantes e arquivos enviados ou recebidos.
  4. Hoje
    Se você enviou documentos, selfie, assinatura ou dados bancários, monitore suas contas, troque senhas que possam ter sido expostas e ative autenticação em dois fatores onde estiver disponível.
  5. Nos próximos dias
    Consulte o Registrato do Banco Central para verificar contas, relacionamentos bancários e empréstimos registrados em seu nome que você não reconhece.
  6. Se aparecer conta ou crédito que você não contratou
    Contate diretamente a instituição financeira responsável, peça bloqueio ou correção e guarde os protocolos de atendimento.

Como se proteger

  • Confirme a vaga no site oficial da empresa, na página de carreiras ou por um telefone que você encontrou por conta própria, não pelo contato enviado pelo recrutador.
  • Verifique se o e-mail do recrutador usa o domínio corporativo da empresa e se o perfil profissional tem histórico e conexões coerentes.
  • Não pague taxa para participar de processo seletivo nem por exame, curso ou certificado apresentado como condição para garantir a contratação.
  • Evite enviar foto de documento, selfie, dados bancários ou assinatura digital antes de confirmar a empresa e participar de uma entrevista real.
  • Desconfie de salário muito acima do mercado, contratação imediata e processo seletivo sem critérios compatíveis com a função.
  • Nunca use sua conta pessoal para receber e repassar dinheiro de clientes, fornecedores ou da suposta empresa como parte de um teste ou treinamento.

Onde denunciar

CanalPara quêO que ter em mãos
Banco ou instituição de pagamentoContestar valores enviados e registrar a fraudeComprovantes, data, valor, chave PIX ou conta de destino e prints da conversa
Polícia Civil ou delegacia virtual do seu estadoRegistrar a ocorrência e permitir a investigaçãoPrints, link do anúncio, telefones, e-mails, documentos e comprovantes
Empresa ou órgão cujo nome foi usadoConfirmar que a vaga é falsa e ajudar a derrubar a fraudeLink da vaga, perfil do falso recrutador e capturas de tela
Plataforma onde a vaga ou perfil apareceuDenunciar anúncio, conta ou conteúdo fraudulentoURL, nome do perfil, capturas de tela e descrição objetiva do golpe

Perguntas frequentes

Toda vaga enviada por WhatsApp é golpe?

Não. Empresas podem usar WhatsApp no recrutamento, mas você deve confirmar a vaga e a identidade do recrutador por um canal oficial antes de enviar dados ou fazer qualquer pagamento.

Empresa pode cobrar taxa, exame ou curso para eu conseguir a vaga?

Trate essa cobrança como forte sinal de fraude. A Febraban orienta que processo seletivo legítimo não cobra do candidato taxa de participação, exame admissional nem curso obrigatório de pré-contratação. Some-se a isso o art. 168 da CLT, que põe o exame médico admissional por conta do empregador.

Enviei meus documentos, mas não paguei nada. Ainda há risco?

Sim. Documentos, selfies, dados bancários e assinaturas podem ser usados em tentativas de abertura de contas, contratação de crédito ou outras fraudes. Monitore sua vida financeira e registre o ocorrido.

Como vejo se abriram conta ou fizeram empréstimo no meu nome?

O Registrato, do Banco Central, permite consultar gratuitamente os seus relacionamentos com instituições financeiras e os empréstimos e financiamentos registrados no seu CPF.

Recebi uma vaga com o nome de uma empresa conhecida. Isso prova que é verdadeira?

Não. Golpistas copiam marcas, nomes e informações públicas. Entre no site oficial da empresa por conta própria e confirme a oportunidade antes de continuar.

Fontes

  1. Febraban — Febraban alerta para o golpe do falso emprego, 12/05/2026. Consultado em 26/08/2026.
  2. Anvisa — Cuidado com o golpe: a Anvisa NÃO vende certificados para quem busca recolocação profissional, 12/08/2026, atualizada em 19/08/2026. Consultado em 26/08/2026.
  3. Banco Central do Brasil — Registrato, consulta de relacionamentos e operações de crédito no CPF. Consultado em 26/08/2026.
  4. Ministério da Justiça e Segurança Pública — Sofri um golpe e agora? Consultado em 26/08/2026.
  5. CLT, art. 168, com redação da Lei 7.855/1989: exame médico admissional por conta do empregador. Consultado em 26/08/2026.
  6. Lei 15.397, de 30/04/2026, que deu a redação atual ao art. 171, § 2º-A, do Código Penal (Planalto). Consultado em 26/08/2026.

Conteúdo informativo. Não é orientação jurídica nem financeira. Encontrou um erro? Conte para a gente — nossa política de correções explica como tratamos.

A falsa vaga usa a pressa de quem procura trabalho para cobrar taxas, cursos ou exames, ou para coletar documentos, selfies, assinaturas e dados bancários. Confirme a vaga por um canal oficial antes de pagar ou enviar dados.

Relatos de quem passou por isso

São relatos enviados por leitores, publicados após leitura da nossa equipe. Não são casos verificados — servem para mostrar as variações que o golpe tem assumido, não como prova de nada.

Você recebeu uma abordagem parecida?

Antes de escrever, três avisos. Não publique dados que identifiquem você ou outra pessoa. Não acredite em ninguém que ofereça recuperar seu dinheiro mediante pagamento — isso é o segundo golpe, e não publicamos contato de ninguém aqui. E, se você perdeu dinheiro, registre boletim de ocorrência: relato em site não substitui denúncia.

Conte o que aconteceu: como chegou o contato, o que pediram, o que fez você desconfiar. Sem nomes, telefones, CPF ou links.

Todo relato é lido por uma pessoa antes de aparecer. Isso costuma levar algumas horas.

Ficha técnica

Tipo
Falso emprego
Canal
E-mail · Redes sociais · Whatsapp
Alvo
Pessoas em busca de emprego · Trabalhadores em recolocação
Prejuízo típico
Variavel
Situação
Ativo
Confiança
Confirmado
Base legal
Art. 171 do Código Penal (estelionato). Quando a fraude é praticada por redes sociais, telefone, e-mail, aplicação de internet ou meio fraudulento análogo, incide o § 2º-A (fraude eletrônica), incluído pela Lei 14.155/2021 e com redação atual dada pela Lei 15.397/2026: reclusão de 4 a 8 anos e multa.