Metodologia

Como o conteúdo deste site é produzido, o que os números significam e — principalmente — o que eles não significam.

As fichas de golpe

Cada ficha é escrita à mão. O procedimento descrito em “Já caí. E agora?” é conferido na fonte primária — o guia do Banco Central, a página do órgão, o texto da lei — e não em resumo de terceiro. Quando não conseguimos confirmar um prazo ou um canal em fonte oficial, a informação simplesmente não entra. Preferimos uma ficha incompleta a uma ficha que manda alguém para o lugar errado.

Toda ficha traz a data da última revisão. Prazos legais mudam, órgãos trocam de canal e regras são revogadas: a data serve para você julgar se aquilo ainda vale.

O Radar

O Radar acompanha, de forma automática, publicações de veículos de imprensa e de órgãos oficiais. Quando encontra uma matéria sobre golpe ou fraude, registra o título, o veículo, a data e o link para a matéria original — e classifica o caso por tipo, canal e severidade.

Catalogar, não reproduzir

Esta é a decisão central do projeto, e ela é estrutural, não uma promessa. O Radar não guarda e não exibe o texto das matérias: nem trecho, nem resumo, nem primeiro parágrafo. O que ele guarda é o título e o endereço da fonte. Quem quiser ler a notícia clica e vai para o veículo que a publicou — o tráfego é do veículo, não nosso.

Nosso entendimento é o de que títulos isolados estão fora da proteção autoral, conforme o artigo 8º, inciso VI, da Lei 9.610/98, que exclui da proteção “os nomes e títulos isolados”. Por isso o Radar cataloga títulos e nunca conteúdo. É a leitura que adotamos; não é parecer jurídico.

Se você é responsável por um veículo e prefere que suas matérias não sejam catalogadas aqui, basta pedir: veja a página de correções e remoção.

O que o Radar não publica

  • Nome de pessoa física, nunca. Nem suspeito, nem investigado, nem condenado, nem vítima. Este site não é cadastro de acusados.
  • Empresa, só com fonte. Uma empresa aparece unicamente quando já foi citada pela matéria de um veículo ou por comunicado de um órgão, e sempre com crédito e link para essa fonte. O Radar não faz acusação própria.
  • Nada que seja apenas desmentido. Matéria que existe para dizer que um boato é falso não vira registro de golpe.

Como um caso é classificado

A classificação é automática e trabalha só sobre o título. Um conjunto de regras procura por sinais do tipo de golpe (PIX, falsa central, WhatsApp, investimento, e assim por diante) e do canal usado. Casos repetidos — a mesma notícia republicada, ou a mesma história contada por vários veículos — são agrupados, para que um caso só não vire cinco registros.

A classificação automática erra. Quando erra, o registro pode ser corrigido ou removido a pedido.

Como ler os números

Os números desta casa medem cobertura noticiosa, não frequência de golpes. Eles dizem quantas vezes cada tipo de golpe apareceu nas fontes que monitoramos — não quantos golpes aconteceram no Brasil.

A diferença importa. Um golpe muito noticiado não é necessariamente o mais comum: pode ser o mais novo, o mais chamativo ou o que atingiu alguém conhecido. E um golpe pouco noticiado pode ser frequente e subnotificado — é o caso típico das fraudes contra idosos, que muitas vezes nem chegam a ser registradas.

Some-se a isso o viés das fontes: monitoramos um conjunto limitado de veículos, com concentração no eixo Sul-Sudeste, o que sub-representa o resto do país. Para estatística oficial de criminalidade, procure o Anuário Brasileiro de Segurança Pública e os dados das secretarias estaduais. Para dados de fraude bancária, o Banco Central publica estatísticas do mecanismo de devolução do PIX.

Os relatos dos leitores

As fichas de golpe aceitam relatos de quem passou pelo golpe. Eles servem para mostrar as variações que uma abordagem assume na vida real, e são úteis exatamente por isso.

  • Todo relato passa por moderação antes de aparecer. Nenhum é publicado automaticamente.
  • Relato não é caso verificado. Não apuramos o que é contado ali.
  • Relato que cite nome de pessoa, telefone, CPF ou dado de identificação não é publicado.

O Verificador de lojas

O Verificador é uma ferramenta de consulta, não um selo de legitimidade. Ele aceita um domínio, uma URL ou um CNPJ e consulta fontes públicas que podem ajudar a encontrar pontos de atenção antes de uma compra. Nenhum resultado afirma que uma loja é segura ou fraudulenta.

Os três indicadores

O resultado mostra três coisas diferentes. Cobertura da verificação indica quanto conseguimos consultar: 100% significa que as fontes previstas responderam, não que a loja é confiável. Pontuação de sinais de risco soma sinais observados numa escala de 0 a 100; as faixas vão de nenhum sinal relevante a sinais críticos, mas essa pontuação não é probabilidade de golpe nem porcentagem de legitimidade. Identidade da loja informa se conseguimos cruzar o CNPJ declarado nas páginas com o CNPJ empresarial associado ao domínio: identidade confirmada, parcialmente confirmada, não confirmada ou dados divergentes.

Os pesos são regras de triagem e devem ser avaliados contra lojas grandes legítimas, lojas pequenas legítimas, sites com fontes bloqueadas, domínios novos e casos deliberadamente suspeitos. Até essa validação, a pontuação deve ser lida como um resumo transparente dos sinais encontrados, e não como uma métrica validada de confiabilidade.

Limites importantes

  • Uma página inacessível, protegida por JavaScript ou bloqueada por anti-robô reduz a cobertura. Isso não é tratado automaticamente como sinal de risco.
  • Não aparecer numa lista de ameaça ou no Procon não é certificado de legitimidade. Listas públicas são incompletas e registram endereços já identificados, não todos os sites existentes.
  • CNPJ ativo, certificado TLS e domínio antigo são fatos úteis, mas não garantem entrega, prazo, qualidade, vínculo de atendimento ou devolução do pagamento.
  • O resultado é exibido sem endereço permanente e marcado para não ser indexado, para que a ferramenta não vire um catálogo pesquisável de lojas suspeitas.